A calculadora de impacto ambiental é uma ferramenta gratuita para medir, em quilos, o que muda quando a operação troca produto pronto para uso por concentrado. E, mais importante, para conseguir provar isso depois.
Em resumo: a Calculadora de Impacto Ambiental e ESG compara a cesta de embalagens que sua empresa compra hoje com a mesma quantidade de solução pronta entregue por produtos concentrados. Ela devolve, por ano, quanto plástico e papelão deixam de virar resíduo, quanto peso deixa de rodar na estrada e quantos quilos de CO₂ equivalente são evitados. Os fatores vêm da base DEFRA/DESNZ 2025 e do Programa Brasileiro GHG Protocol. É gratuita, não pede cadastro e faz a conta dentro do seu navegador.
A cena se repete em toda reunião de homologação. O fornecedor apresenta a linha concentrada, alguém do time de sustentabilidade pergunta quanto aquilo reduz de emissão, e vem a resposta que não resolve: “bastante”.
Bastante não entra em planilha.
Quem responde por compras num hospital, numa indústria ou numa rede de lojas precisa levar quilo, método e fonte para dentro do relatório de sustentabilidade da própria casa. E precisa que esse número continue de pé quando outra pessoa for conferir, meses depois, sem ter estado na reunião.
A Calculadora de Impacto Ambiental e ESG existe para fechar essa lacuna. Você informa o que a operação compra hoje e o que passaria a comprar; ela devolve, em quilos por ano, o plástico, o papelão, o peso transportado e o CO₂ equivalente de cada cenário. Nas próximas seções está como ela chega nesses números, de onde vêm os fatores de emissão e, principalmente, onde a conta para. Essa última parte é a que mais serve na hora de defender o dado.
CALCULADORA DE IMPACTO AMBIENTAL GRATUITA
SUMARIO
Por que a pegada de carbono da embalagem virou assunto do setor de compras?
Porque a conta deixou de ser só do fabricante.
Quando uma empresa fecha o inventário de emissões dela, quase sempre descobre que a maior parte do resultado está no Escopo 3, a parte que reúne o que ela compra e o que chega até a porta em caminhão. Produto de limpeza, comprado direto ou pela empresa de limpeza terceirizada, é o caso clássico da categoria que ninguém olhava: volume físico enorme, valor unitário baixo, some no meio do orçamento. Sai em caminhão, chega em plástico, termina em aterro. Três etapas que emitem, nenhuma medida.
Junte a isso a pressão contratual, que apareceu rápido nos últimos anos. Grandes contratantes passaram a pedir dado ambiental do fornecedor já na homologação, antes mesmo da negociação de preço. No setor público, a Lei 14.133/2021 colocou o desenvolvimento nacional sustentável entre os objetivos do processo licitatório, e isso abriu espaço para critério ambiental em edital de material de limpeza e de terceirização de facilities.
Na ponta, sobra a mesma cena de sempre: o comprador precisa justificar tecnicamente a escolha e o fornecedor chega com folheto, ou com um print de WhatsApp.
A regra que sustenta toda a comparação da calculadora de impacto ambiental
Existe uma conta que vem antes de todas as outras, e ela nem é ambiental. É a mesma que o comprador experiente já faz no preço: o custo relevante é por litro de solução, nunca por litro de produto. Quem coloca lado a lado o galão de 5 litros pronto para uso e o frasco de 300 ml hiperconcentrado olhando só a embalagem erra nas duas dimensões, na financeira e na ambiental, pelo mesmo motivo.
O denominador certo é o litro que chega na superfície, dentro do mesmo processo de limpeza. Esse detalhe importa: mudar o procedimento junto com o produto muda a conta, para mais ou para menos. Estamos falando do líquido que sai do balde, do pulverizador, do mop plano ou do tanque da lavadora. Dois litros a 1:100 entregam 200; cinco litros prontos para uso entregam cinco. Enquanto essa base não estiver igualada nos dois lados, comparar resíduo, peso ou emissão é perda de tempo, porque você está medindo volumes de trabalho diferentes.
Na tela isso virou regra, não recomendação. Os dois cenários exibem o volume de solução que produzem e a ferramenta avisa por escrito quando eles não batem. Se alguém tentar comparar 240 mil litros com 180 mil, o aviso aparece antes do resultado. Sem essa amarra, qualquer percentual bonito é propaganda com casa decimal, e greenwashing com aparência de planilha.
DA NOSSA CARTEIRA
Um cliente da capital paulista, do setor de facilities, comprava por volta de 600 embalagens de limpador perfumado por mês. No meio de uma negociação com a rede que ele atendia, veio a exigência de reduzir o volume entregue. Foi ali que entrou a versão hiperconcentrada do mesmo produto, em frasco de 300 ml. O procedimento de limpeza seguiu igual, o volume de solução no fim do mês seguiu igual, e caiu tudo o resto: produto, frete e embalagem. A calculadora de impacto ambiental ainda não existia. Sentimos o efeito na operação antes de conseguir medir.
As três etapas que entram na conta
A embalagem emite em três momentos da vida dela, e a ferramenta trata cada um em separado. Não é preciosismo metodológico: número único, sem abertura, é a primeira coisa que um auditor devolve pedindo detalhe.
• Produção da embalagem: Cada resina tem seu fator. Polietileno de alta densidade, PET e polipropileno emitem de forma diferente entre si, e resina reciclada emite quase metade da virgem. Por isso a calculadora de impacto ambiental pergunta o material e a origem de cada item, em vez de assumir um plástico genérico.
• Frete até a planta: Aqui mora o argumento mais fácil de explicar para quem não é da área técnica: comprar produto pronto para uso é pagar frete de água. A ferramenta soma o que sobe na carroceria, produto e embalagem juntos, e converte em tonelada-quilômetro, unidade que o GHG Protocol adota para carga e que a área de sustentabilidade já reconhece.
• Fim de vida: Essa é a etapa que quase todo mundo esquece, e ela tem uma surpresa dentro. Papelão em aterro se decompõe sem oxigênio e libera metano, um gás bem mais agressivo que o CO₂. O fator do papelão em aterro é mais de cem vezes o do plástico. Se o cliente recicla, o número quase some.
De onde vêm os números
Aqui vale uma declaração direta, porque é o ponto em que a maioria das ferramentas de fornecedor cai: não inventamos nenhum coeficiente. Cada fator sai de uma das duas bases abaixo e aparece na própria tela com nome, ano e link, de forma que qualquer pessoa possa abrir a publicação e conferir a linha.
| Etapa do cálculo | Fonte | Exemplo de fator |
|---|---|---|
| Produção de plástico e papelão | DEFRA/DESNZ, Conversion Factors 2025 | HDPE virgem: 3,0952 kg CO₂e/kg |
| Fim de vida (aterro ou reciclagem) | DEFRA/DESNZ 2025 | Papelão em aterro: 1,1645 kg CO₂e/kg |
| Transporte rodoviário | Programa Brasileiro GHG Protocol (FGVces), 2025 | Van classe I: 0,7766 kg CO₂e/t.km |
A base britânica é a referência internacional para fator de material, e usamos ela por um motivo pouco animador: não existe equivalente público brasileiro para resinas. Já o transporte é nosso mesmo. Vem da ferramenta do GHG Protocol brasileiro, e isso muda o resultado, porque os fatores consideram a mistura de biodiesel do diesel nacional, 14,4% no ano de referência, além dos potenciais de aquecimento do IPCC para metano e óxido nitroso. É diesel daqui, não da Europa.
Quanto um produto concentrado economiza de verdade?
Quase tudo depende de uma variável só: o rendimento. E a economia acompanha o rendimento de perto, porque plástico, papelão, peso no caminhão e resíduo caem todos juntos quando você precisa de menos embalagem para produzir a mesma solução.
Veja um caso que dá para reproduzir na ferramenta em menos de um minuto. Uma operação consome 200 galões de 5 litros por mês, diluídos a 1:20. São 2.400 galões no ano e 240.000 litros de solução pronta. A proposta cobre esse mesmo volume com 20 unidades por mês de um hiperconcentrado de 5 litros a 1:200, ou 240 embalagens no ano.

Redução ao longo dos anos referente a substituição dos galões de 5L para embalagem hiperconcentrada de 300ml.
| Indicador (por ano) | Hoje | Proposta | Redução |
|---|---|---|---|
| Solução pronta produzida | 240.000 L | 240.000 L | Mesmo volume |
| Embalagens compradas | 2.400 un | 240 un | 90,0% |
| Resíduo de plástico | 480,0 kg | 48,0 kg | 90,0% |
| Resíduo de papelão | 360,0 kg | 36,0 kg | 90,0% |
| Massa transportada | 12.840,0 kg | 1.284,0 kg | 90,0% |
| CO₂e: produção das embalagens | 1.917,6 kg | 191,8 kg | 90,0% |
| CO₂e: transporte | 498,6 kg | 49,9 kg | 90,0% |
| CO₂e: fim de vida | 423,5 kg | 42,4 kg | 90,0% |
| Pegada de carbono total | 2.839,7 kg CO₂e | 284,0 kg CO₂e | 90,0% |
Dá 2.556 quilos de CO₂ equivalente evitados no ano. Em imagem de reunião: por volta de 15.000 km de carro que ninguém rodou, ou o que umas 116 árvores absorvem em doze meses. Mais 432 quilos de plástico que não viraram resíduo.
A redução bate exatos 90% em todas as linhas, e isso não é malandragem de apresentação. Se cada embalagem rende dez vezes mais, você compra um décimo delas para o mesmo serviço, e tudo que decorre da embalagem cai junto na mesma proporção. Quando a cesta mistura vários produtos com diluições diferentes, o percentual sai quebrado. A mecânica continua a mesma.
FORA DO B2B, O MESMO EFEITO
Nosso mercado é o corporativo, mas foi o varejo que demonstrou isso em escala e com verificação de terceiro. Entre 2009 e 2011 o Walmart Brasil rodou o projeto Sustentabilidade de Ponta a Ponta, com apoio técnico do Cetea, o centro de tecnologia de embalagem do ITAL. Na segunda edição, 13 produtos de 12 fabricantes foram redesenhados. Somados os volumes anuais vendidos pela rede, deu 79.450 kg a menos de material de embalagem, 3.171 toneladas de CO₂ equivalente evitadas e 232.430 litros de diesel economizados. E um número que conversa direto com o que estamos discutindo aqui: de 32% a 64% mais produto dentro do mesmo caminhão.
Entre os itens, um limpador multiuso da categoria de perfumados migrou para PET de 2 litros usando 47% menos material por litro do que a versão de 500 ml. Só essa mudança representou 1.805 kg de embalagem e 451 kg de CO₂e a menos por ano.
Se a lógica se sustenta no varejo, com consumidor doméstico e sem nenhum controle de dosagem, ela se sustenta com folga numa operação profissional, onde existe procedimento escrito e dosador na parede.
Tem um detalhe nessa tabela que costuma travar a reunião por alguns segundos: o número de entregas não muda. O caminhão continua indo uma vez por mês, no mesmo dia, com a mesma nota. O que muda é o que vai dentro. Foi por isso que adotamos o transporte por carga, em tonelada-quilômetro, e não por viagem. Contar por viagem esconderia o ganho inteiro.
As quatro escolhas que mais mudam o resultado da calculadora de impacto ambiental
Premissa escondida é o que separa ferramenta de folheto. Todas as nossas estão editáveis na tela, e quatro delas concentram quase toda a variação do resultado. Se for apresentar a simulação para alguém, converse sobre estas quatro antes de mostrar qualquer total:
• A diluição. É a alavanca principal: sozinha, ela determina quantos litros cada embalagem rende, e todo o resto do cálculo pendura nesse número.
• A origem da resina. Trocar virgem por reciclada derruba cerca de 45% da emissão de produção, e é comum a embalagem já ter conteúdo reciclado sem que ninguém tenha registrado isso em lugar nenhum. Pergunte ao fabricante antes de rodar a simulação.
• O destino pós-uso. Aterro ou reciclagem. Por causa do metano do papelão, essa pergunta sozinha mexe mais de 10% no total. Deixamos o padrão no cenário pior: assume que o cliente não recicla. Se ele reciclar, o número melhora, e é melhor descobrir isso a favor do que contra.
• A logística. Distância, frequência e tipo de veículo vêm preenchidos com média de mercado, uma entrega por mês, 50 km e van de classe I. São chute de partida, e nós dizemos isso na própria tela. Cada contrato tem o seu desenho de entrega.
DENTRO DE CASA
Sobre esse último item cabe um contraponto vindo da nossa própria operação. Ao trocar a cesta por superconcentrados e por itens de maior durabilidade, panos de microfibra, esponjas, rodos e vassouras que aguentam mais, o ciclo de reposição passou de mensal para quadrimestral. Uma entrega no lugar de quatro. Quando isso acontece, a economia deixa de ser só de embalagem e vira frete inteiro que não sai da garagem, com a qualidade do material em uso subindo junto. Se for o seu caso, mexa no campo de entregas por ano: o padrão de 12 é conservador de propósito.
A diluição correta é o que sustenta toda a economia
Agora a parte que ninguém gosta de ouvir numa proposta.
O ganho ambiental do concentrado só existe se a diluição for cumprida no dia a dia. Um produto de 1:200 dosado no olho, virando o galão dentro do balde, acaba usado a 1:50. Gasta quatro vezes mais, come a economia de embalagem, deixa filme na superfície e ainda gera reclamação de piso escorregadio. Nesse cenário, o relatório que você imprimiu vira ficção, porque a premissa de rendimento não é a que está acontecendo no corredor.
Ferramenta de cálculo e disciplina de dosagem são a mesma conversa. Se restar dúvida sobre como ler uma proporção, quanto colocar num balde de 8 litros ou como manter isso igual entre o turno da manhã e o da madrugada, vale ler antes o nosso guia de diluição de produtos de limpeza, que traz a tabela de proporções e a calculadora de impacto ambiental de diluição. E, sendo direto: dosador e diluidor de parede resolvem muito, principalmente somados a treinamento. Um tira o erro humano do caminho, o outro explica por que ele não pode voltar.
O que a calculadora de impacto ambiental não faz?
Se você for aproveitar uma única parte deste texto numa apresentação, aproveite esta. Limite declarado antes da pergunta é o que faz o resto do número ser levado a sério.
A conta cobre embalagem, transporte e fim de vida. Ponto. Ficam de fora a fabricação do químico ativo, a água de diluição e a energia gasta no uso. Não é uma Avaliação de Ciclo de Vida completa e não deve ser apresentada como se fosse.
Vale registrar uma premissa técnica que joga a favor e mesmo assim ficou de fora. Hiperconcentrados usam matéria-prima de maior potência e pureza e trabalham acima da concentração micelar crítica, o ponto em que o tensoativo de fato passa a limpar. Isso entrega desempenho igual ou melhor com menos massa de ativo por litro de solução. Como esse ganho não entra na conta, o resultado que aparece na tela é conservador: o impacto evitado tende a ser maior do que o mostrado, não menor.
ONDE ISSO APARECE NO NOSSO CATÁLOGO
A linha Prax é o exemplo concreto disso aqui dentro. A linha foi ampliada recentemente, parte de ativos de geração mais nova e tem produtos com Rotulagem Ambiental ABNT, o rótulo tipo I de que falamos mais adiante. O limpador geral existe em galão de 5 litros, em frasco de 1 litro com dosador acoplado e na versão HyperC de 300 ml, que trabalha em diluições altíssimas. Três formatos do mesmo produto, três pegadas de embalagem completamente diferentes para o mesmo serviço.
Chegamos a testar um campo de teor de ativos na ferramenta. Tiramos. Cada formulação tem fator próprio, só o fabricante do insumo pode informar, e um número frágil no meio de números sólidos contamina o conjunto inteiro.
Como levar esse número para o relatório ESG da empresa?
O resultado conversa direto com o Escopo 3 do GHG Protocol. A emissão de produção das embalagens cai em bens e serviços comprados. A de transporte cai em transporte e distribuição a montante. O fim de vida tem categoria própria, ligada aos resíduos gerados na operação.
Ou seja, o número não fica solto num material de venda: ele tem endereço dentro do inventário. Quem já reporta emissões vê a troca de embalagem aparecer como redução em linhas que a equipe acompanha desde sempre. Quem ainda não reporta costuma achar aqui um bom primeiro recorte, porque é compra recorrente, dado fácil de levantar e resultado que aparece já no primeiro ano.
Um conselho de quem já viu isso ser cobrado: guarde o relatório impresso da simulação junto do contrato. Ele sai com as duas cestas detalhadas, as premissas adotadas e as fontes de cada fator. Quando alguém questionar, dois anos depois, é esse conjunto que responde. O número sozinho não responde nada.
Como isso conversa com a rotulagem ambiental?
Vale situar onde esse número se encaixa na hierarquia das alegações ambientais, porque a confusão entre elas é frequente. No topo da formalidade está o tipo III, a declaração ambiental de produto, que só existe com ACV completa por trás.
Depois vem o tipo I, o selo emitido por certificadora independente segundo critério publicado, caso do Rótulo Ecológico ABNT e do PE-344 para produtos de limpeza. E há o tipo II, a autodeclaração, feita pela própria empresa, sem chancela de terceiro. O resultado da calculadora de impacto ambiental é matéria-prima para o tipo II.
Autodeclaração não é terra sem lei: quem manda nela é a ISO 14021, e a norma cobra três coisas. A alegação precisa ser específica. Precisa ser verificável por quem recebe. E não pode induzir a erro. Passe “nosso produto é sustentável” por esse filtro e não sobra nada. Agora passe esta: “a troca de embalagem prevista neste contrato evita 2.556 kg de CO₂e por ano, calculados sobre 240.000 litros de solução, com fatores DEFRA 2025 e GHG Protocol Brasil 2025, cobrindo embalagem, transporte e fim de vida”. Específica, verificável, sem exagero.
Uma é intenção. A outra alguém consegue auditar.
Como comunicar o ganho sem cair em greenwashing?
Opinião impopular dentro do meu próprio setor: boa parte do discurso ambiental em produto de limpeza não sobrevive a cinco minutos de pergunta técnica. E, na maioria das vezes, não é má-fé. É um número certo usado fora do contexto.
Três cuidados resolvem quase tudo.
• Diga a base da comparação. “90% menos plástico” não informa nada sozinho. “90% menos plástico para produzir os mesmos 240.000 litros de solução por ano” informa tudo.
• Diga o escopo, incluindo o que ficou fora: Embalagem, transporte e fim de vida entraram; químico ativo, água e energia de uso não entraram.
• Diga as premissas que mexem no resultado, principalmente destino pós-uso e distância de entrega. Se você assumiu aterro, escreva que assumiu aterro.
E fuja de absoluto. “Carbono zero”, “ecológico” e “não polui” exigem comprovação que um cálculo de embalagem não entrega, e são exatamente as expressões que um auditor sublinha primeiro.
Como aproveitar melhor a ferramenta de calculadora de impacto ambiental?
Na prática, quatro perguntas resolvem o preenchimento:
• Quantas unidades de cada embalagem compro por mês?
• Qual a diluição de uso de cada produto, ou uso puro?
• Quantos quilômetros o caminhão faz até a planta, e com que frequência ele vem?
• As embalagens vão para aterro ou são recicladas?
Respondidas as quatro, a comparação está pronta. Antes de fechar a aba, use o botão de impressão: sai um relatório com o nome da planta no cabeçalho, as duas cestas item a item, as premissas que você adotou e a lista de fontes. Esse PDF é o que vale anexar ao processo, não a captura de tela do resultado.
E fica um último conselho, que talvez seja o mais útil de tudo. Abra o escopo antes de alguém perguntar. Quem diz de saída o que ficou fora da conta, e explica por que isso deixa o resultado conservador, ganha uma credibilidade que nenhuma casa decimal a mais compra.
Perguntas frequentes sobre pegada de carbono de embalagens e produtos concentrados
Reunimos abaixo as dúvidas que mais aparecem quando o assunto é impacto ambiental de embalagem e produto concentrado.
O que é a pegada de carbono de uma embalagem?
É a quantidade de gases de efeito estufa, em quilos de CO₂ equivalente, associada a uma embalagem ao longo da vida dela. Em produto de limpeza, três etapas concentram quase tudo: produzir a resina plástica e o papelão, transportar até o cliente e dar destino ao que sobra, aterro ou reciclagem. O termo “equivalente” serve para colocar gases diferentes na mesma unidade, como o metano que sai do papelão enterrado.
Como calcular o CO₂ das embalagens de produtos de limpeza?
Multiplique a massa de cada material pelo fator de emissão correspondente e some as três etapas. Na prática: quilos de plástico no ano vezes o fator da resina, mais quilos de papelão vezes o fator do papelão, mais a massa transportada convertida em tonelada-quilômetro vezes o fator do veículo, mais os mesmos quilos de material vezes o fator do destino. Dá para fazer no Excel. A Calculadora de Impacto Ambiental da Higiclear faz isso pronto e mostra cada parcela separada, que é o que interessa na hora de defender o número.
Produto concentrado é mesmo mais sustentável do que o pronto para uso?
É, desde que a comparação seja por litro de solução pronta e a diluição seja cumprida na operação. O concentrado corta impacto por três caminhos ao mesmo tempo: fabrica menos embalagem, carrega menos peso (produto pronto para uso é, em boa parte, água) e gera menos resíduo. Num caso comum de 1:20 trocado por 1:200, a redução chega a 90% em plástico, em peso transportado e em CO₂e. Se a dosagem não for respeitada, boa parte dessa vantagem evapora.
Quanto plástico uma empresa consegue economizar por ano?
Depende do volume e do rendimento, mas a ordem de grandeza impressiona. Uma operação com 200 galões de 5 litros por mês, diluídos a 1:20, gera cerca de 480 kg de resíduo plástico no ano. Cobrindo os mesmos 240.000 litros de solução com um hiperconcentrado 1:200, o resíduo cai para 48 kg. São 432 kg a menos, com exatamente a mesma limpeza entregue.
Qual a diferença entre produto concentrado e hiperconcentrado?
A diferença está no rendimento por litro. Concentrado tradicional costuma trabalhar entre 1:10 e 1:50; hiperconcentrado chega a 1:200, 1:400 ou mais, porque parte de matéria-prima mais potente e mais pura. Quanto maior a diluição possível, menos embalagem e menos frete para o mesmo serviço. O que não muda em nenhum dos dois é a exigência de dosagem: rendimento no rótulo só vira economia real se for cumprido no balde.
Os números servem para o relatório de sustentabilidade e o Escopo 3 da empresa?
Servem como base de cálculo para as categorias correspondentes do Escopo 3 do GHG Protocol: bens e serviços comprados (produção das embalagens), transporte e distribuição a montante (o frete até a planta) e resíduos gerados na operação (o fim de vida). Guarde o relatório impresso da simulação, com premissas e fontes, junto do contrato. É esse conjunto que sustenta o dado quando alguém pedir a memória de cálculo.
A calculadora de impacto ambiental faz uma Avaliação de Ciclo de Vida (ACV)?
Não faz, e é importante não vender como se fizesse. Ela cobre embalagem, transporte e fim de vida, deixando de fora a fabricação do químico ativo, a água de diluição e a energia gasta no uso. Uma ACV completa segue as normas ISO 14040 e ISO 14044, exige inventário de todas as etapas e normalmente passa por verificação de terceira parte. O resultado daqui deve ser apresentado pelo que é: uma comparação de impacto de embalagem, transporte e descarte.
De onde vêm os fatores de emissão usados no cálculo?
De duas bases públicas. Produção de resinas e de papelão e fim de vida vêm da publicação anual do governo do Reino Unido, DEFRA/DESNZ “Greenhouse gas reporting: conversion factors 2025”, que é a referência internacional para fator de material. Transporte rodoviário vem da ferramenta do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo FGVces, que já considera a mistura de biodiesel do diesel brasileiro e os GWP do IPCC. Cada fator aparece na tela com nome, ano e link.
Por que o destino da embalagem muda tanto o resultado?
Por causa do metano. Papelão em aterro se decompõe sem oxigênio e libera metano, um gás com potencial de aquecimento muitas vezes maior que o do CO₂. Resultado: o fator de fim de vida do papelão em aterro passa de cem vezes o do plástico. A calculadora de impacto ambiental assume, por padrão, que o cliente não recicla, porque é o cenário pior. Marcar reciclagem derruba essa parcela quase a zero, e é uma pergunta que vale fazer, já que muita empresa recicla e nem contabiliza.
Como usar esse resultado numa licitação ou proposta sem cair em greenwashing?
Escreva a alegação de forma específica, verificável e contextualizada, que é o que a ISO 14021 exige. Em vez de “produto sustentável”, diga quanto se evita, em que período, sobre qual base de comparação e com quais fontes. Anexe o relatório da simulação com as premissas adotadas. E evite absoluto: “carbono zero” e “não polui” pedem comprovação que um cálculo de embalagem não fornece, e chamam atenção justamente de quem vai conferir.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Nome da ferramenta | Calculadora de Impacto Ambiental e ESG da Higiclear |
| O que compara | Cesta de embalagens atual versus proposta em produto de maior concentração, na mesma quantidade de solução pronta |
| Unidade de comparação | Litro de solução pronta para uso, por ano |
| Etapas cobertas | Produção das embalagens, transporte até o cliente e fim de vida das embalagens |
| Fora do escopo | Fabricação do químico ativo, água de diluição e energia de uso |
| Indicadores devolvidos | Resíduo de plástico e de papelão, massa transportada, CO₂e por etapa e pegada total, em base anual |
| Fontes dos fatores | DEFRA/DESNZ 2025 (materiais e fim de vida) e Programa Brasileiro GHG Protocol / FGVces 2025 (transporte) |
| Premissa de densidade | 1,0 kg por litro, aplicada igualmente aos dois cenários |
| Premissa de descarte | Aterro, o cenário conservador, alterável para reciclagem |
| Custo e cadastro | Gratuita, sem cadastro; o cálculo roda no navegador e nenhum dado é enviado |
Metodologia: produção e fim de vida conforme DEFRA/DESNZ, “Greenhouse gas reporting: conversion factors 2025”
transporte rodoviário conforme a ferramenta do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo FGVces, com a mistura de biodiesel vigente e os GWP do IPCC (CH₄ 28; N₂O 265).
Pesos de embalagem informados pelo fabricante.
Última conferência dos fatores: agosto de 2026.